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Olho nas finanças! Fazenda Nacional aponta erro fiscal do Vasco, mas avança em transação

Diretoria e corpo jurídico do clube trabalham para atualizar documentação

A Fazenda Nacional protocolou uma manifestação no processo de Recuperação Judicial do Vasco e da Vasco SAF para alertar o Juízo de que a certidão federal apresentada na ação estava vencida e não serve como prova atual de regularidade tributária. Conforme apuração do perfil Podcast Cruzmaltino, a identificação do documento inválido gerou um ponto de atenção burocrático na mesa dos magistrados nesta quarta-feira (28).

Os advogados tributaristas da empresa carioca precisarão realizar a atualização imediata dos dados fiscais nos autos para que a tramitação da reestruturação financeira não sofra paralisações contratuais na temporada de 2026.

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Transação Individual em estágio avançado

O papel anexado pela defesa vascaína tratava-se de uma Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, documento que reconhece a existência de pendências financeiras, mas garante direitos de regularidade por estar com suas garantias vigentes. O nó da questão reside no fato de que a validade jurídica do documento expirou no dia 7 de dezembro de 2025, criando um descompasso temporal com a manifestação do fisco, datada de 25 de maio de 2026.

Para consolidar de forma definitiva esta etapa do plano de recuperação, o clube terá que apresentar certidões válidas e concluir as tratativas de parcelamento de suas dívidas.

Apesar da contestação em relação ao vencimento do papel, o teor do relatório apresentado pelo órgão arrecadador trouxe uma excelente notícia para os bastidores de São Januário. A procuradoria federal confirmou formalmente que as negociações com a diretoria comandada pelo presidente Pedrinho para a assinatura de uma Transação Individual estão em estágio bastante avançado.

Esse mecanismo jurídico funcionará para equacionar todos os débitos fiscais inscritos na Dívida Ativa da União, restando apenas o ajuste técnico de uma última cláusula para o fechamento do contrato.

A representação do governo federal demonstrou confiança no desfecho positivo do acordo e solicitou ao Juízo um prazo regulamentar de 30 dias para informar o pagamento da primeira parcela da transação. O acerto garante estabilidade institucional para o Vasco dar prosseguimento às conversas com o grupo investidor de Marcos Lamacchia, que exige garantias tributárias sólidas para adquirir o controle majoritário das ações do futebol profissional.

A regularidade fiscal impede novos bloqueios judiciais nas receitas operacionais originadas por patrocínios e direitos de transmissão.

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Felipe Carregal, VP Jurídico do clube, já está tratando a questão junto à Justiça – Foto: Reprodução/VascoTV

O que é Recuperação Judicial?

A Recuperação Judicial é um mecanismo jurídico criado para evitar a falência de uma empresa ou instituição que está passando por uma crise financeira grave. O principal objetivo é permitir que a organização continue funcionando, mantendo os empregos dos funcionários e os serviços ativos, enquanto renegocia suas dívidas com os credores de forma organizada sob a supervisão da Justiça.

Aqui está como o processo funciona na prática:

  • Congelamento das cobranças: Quando a Justiça aceita o pedido de Recuperação Judicial, todas as execuções de dívidas e cobranças judiciais contra a empresa ficam suspensas por um período determinado (geralmente 180 dias). Isso dá um “fôlego” financeiro para que a instituição respire e organize o caixa.
  • Apresentação do Plano: A empresa é obrigada a apresentar um Plano de Recuperação Judicial. Esse documento detalha exatamente como ela pretende sair da crise, incluindo estratégias de reestruturação administrativa, corte de gastos, venda de ativos e, principalmente, a proposta de como e quando pagará cada credor.
  • Assembleia de Credores: Os credores (bancos, fornecedores, prestadores de serviço, funcionários com direitos trabalhistas) se reúnem para votar se aceitam, rejeitam ou sugerem mudanças nesse plano. Se aprovado, o plano passa a valer e a empresa deve segui-lo à risca.
  • Fiscalização Tributária e Regularidade: Para que a Recuperação Judicial caminhe com segurança e seja homologada em suas etapas, a empresa precisa demonstrar regularidade fiscal. É aí que entram órgãos como a Fazenda Nacional, exigindo certidões válidas que comprovem que os tributos federais e as dívidas ativas com a União estão sendo equacionados — seja por meio de parcelamentos ou de acordos como a Transação Individual.

Caso a empresa descumpra as obrigações assumidas no plano aprovado ou não consiga comprovar sua viabilidade, o processo de Recuperação Judicial pode ser convertido pela Justiça em Falência, o que resulta no encerramento definitivo das atividades e no leilão dos bens para pagar as dívidas restantes.

No contexto do futebol, esse processo é o que permite ao Vasco e sua SAF reestruturarem as suas finanças de forma unificada, garantindo que o clube continue operando e quitando o seu passivo histórico sem o risco de sofrer penhoras asfixiantes nas receitas do dia a dia. 

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