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Vasco on fire! Tudo que aconteceu no Gigante da Colina na parada da Copa do Mundo
Dossiê completo sobre o Vasco durante a pausa da Copa: o retorno de Pedrinho, a chegada de Pedro Emanuel, contratação de Paulinho e o papel do watchdog.
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by
Caio Feitel
Os bastidores do Vasco pegaram fogo durante o período de pouco mais de 40 dias sem jogos por conta da paralisação para a Copa do Mundo de 2026. Mesmo sem entrar em campo, o clube viveu uma intensa turbulência que misturou demissão de comissão técnica, racha político, queda e retorno de presidente, além de novelas no mercado de transferências. Para o torcedor vascaíno que perdeu os detalhes desse período agitado fora das quatro linhas, preparamos um dossiê completo organizando a linha do tempo e os bastidores que redefiniram os rumos da instituição para o segundo semestre.
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A queda de Renato Gaúcho e o início da crise
O planejamento esportivo inicial acabou severamente prejudicado pelo desempenho em campo na reta final do primeiro semestre. Sob o comando de Renato Gaúcho, a equipe sofreu uma acentuada queda de rendimento e a derrota para o Atlético-MG, em São Januário, empurrou o time para a zona de rebaixamento do Brasileirão.
Próximo ao fim das férias do elenco, a diretoria optou pela demissão do treinador. A decisão levou em conta o desgaste na metodologia de treinos e o clima ruim com os atletas, após coletivas em que a comissão técnica expôs excessivamente o grupo.
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Intervenção judicial paralisa a Vasco da Gama SAF
No dia 22 de junho, com a reapresentação dos jogadores, o clube pretendia acelerar o mercado da bola. Porém, a Justiça aceitou uma liminar da 777 Partners que afastou o presidente Pedrinho do comando do futebol, nomeando a advogada Samantha Longo como interventora.
Essa decisão instaurou um verdadeiro caos institucional e travou negociações avançadas. O cenário político piorou com o racha na chapa Sempre Vasco, resultando na exoneração de quatro diretores do CRVG acusados pelo mandatário de sabotarem as conversas em favor da empresa americana.
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Família Lamacchia exige retorno da diretoria
O imbróglio jurídica forçou os empresários Marcos Faria Lamacchia e José Roberto Lamacchia a se manifestarem publicamente pela primeira vez sobre a compra do futebol. Os proprietários da Almirante Participações confirmaram que as tratativas ocorriam desde 2024 e que as bases do negócio bilionário estavam praticamente concluídas.
No entanto, os investidores impuseram uma condição inegociável para realizar o aporte financeiro: o encerramento da intervenção e o retorno imediato de Pedrinho ao poder da Vasco da Gama SAF, recusando qualquer diálogo com os opositores. O investidor disparou sobre a interferência política que quase melou a venda:
“Se não conhecêssemos o Pedrinho e sua equipe, estaríamos fora. Quando a política interna de um clube consegue induzir o Judiciário ao erro, para travar uma negociação bilionária que pode salvar o Vasco às vésperas do anúncio, o prejuízo é incalculável. E o Vasco não pode pagar esse preço.”
Instabilidade provoca novelas e perdas no mercado
Sem um comando institucional consolidado, o diretor de futebol Admar Lopes enfrentou enormes dificuldades para dar sequência ao planejamento de reforços. Diante da paralisia administrativa na empresa de futebol, o técnico Franclim Carvalho, do Botafogo, e o comandante Fernando Seabra, do Coritiba, recusaram os convites por conta da insegurança jurídica.
O prejuízo técnico aumentou quando o clube perdeu o prazo para selar o retorno do atacante Gabriel Pec, cria da Colina que acabou assinando contrato de transferência com o Cruzeiro.
Justiça encerra intervenção e devolve o comando
A reviravolta nos tribunais ganhou força após o pedido de renúncia da interventora Samantha Longo, alegando motivos de segurança pessoal. Após manifestações e protestos da torcida vascaína, além do apoio formal de 106 conselheiros, o desembargador César Cury derrubou a liminar anterior.
O magistrado extinguiu a intervenção judicial e devolveu oficialmente o comando do futebol a Pedrinho. Em carta aberta de agradecimento, o mandatário exaltou a lealdade da família Lamacchia por saber separar quem defende a instituição daqueles que apoiavam a antiga gestão:
“Nossa gratidão à Família Lamacchia, que cuidou do Vasco e soube separar quem quer o bem do clube de quem se diz ‘vascaíno’, mas manipula e se esconde atrás da 777 para fazer mal ao Vasco.”
Athos Neves assume função de watchdog da SAF
Para chancelar o retorno da diretoria associativa ao poder da Vasco da Gama SAF, a 4ª Vara Empresarial da Câmara Capital do PJERJ estipou regras de transparência. O advogado Athos Neves, sócio do escritório Neves, Figueiredo, Cerqueira e Souza Advogados – NFCS, foi nomeado como watchdog da empresa.
O profissional terá uma atuação técnica e totalmente independente, funcionando como um fiscal da Justiça. Sua missão principal será auditar a governança e reportar obrigatoriamente ao juízo qualquer movimentação financeira ou contrato que supere o teto de R$ 5 milhões.
Estratégia de Admar Lopes e o orçamento atual
Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, o diretor Admar Lopes detalhou como o afastamento temporário do presidente prejudicou o andamento das conversas da janela. O executivo ressaltou que o planejamento prevê responsabilidade com as contas, priorizando atletas por empréstimo ou em fim de contrato, já que a folha salarial está rigorosamente em dia. Ele explicou como a briga pelo poder travou os planos do clube de futebol no mercado de transferências:
“Havia, antes da intervenção e do afastamento dele um plano bem definido, estruturado. E durante o afastamento, ele não participou em absolutamente nada. Um diretor de futebol que não pode falar com o presidente, não é agradável, não facilita absolutamente nada. O que eu posso dizer é que eu, como diretor de futebol do Vasco, não sabia se iríamos ficar um dia, uma semana, um mês, um ano sem presidente. E isto, obviamente, como devem imaginar, causa uma incerteza muito grande.”
Além disso, ao ser questionado sobre a incapacidade de fechar com Gabriel Pec, o dirigente mandou a real sobre o tamanho das finanças atuais da instituição:
“É um jogador com passado no clube e enorme nível. Na nossa condição atual, não temos capacidade para fazer investimento. Trabalho com o que tenho. Tento me adaptar à realidade, mas é óbvio que todos gostam de ter argumentos financeiros para convencer os jogadores de outra prateleira. No momento, a realidade do Vasco é essa.”
As movimentações e saídas do elenco profissional
Apesar das amarras financeiras da Vasco da Gama SAF, o mercado movimentou o elenco profissional. O atacante angolano Loide Augusto foi liberado para buscar um novo clube, enquanto o meia Matheus França retornou ao Crystal Palace após o fim do empréstimo. Na posição de primeiro volante, o setor sofreu uma baixa importante com a saída de Hugo Moura, negociado com o Al-Fayha, da Arábia Saudita.
Em contrapartida, o único reforço anunciado até o momento é o lateral-esquerdo Paulinho, ex-América-MG, que assinou até 2029 e chega para acirrar a disputa por vaga com Lucas Piton e Cuiabano. Na sua coletiva de apresentação, o novo reforço minimizou a crise administrativa e garantiu estar mentalmente preparado para a pressão de jogar no Gigante da Colina:
“Sabe o quanto a gente trabalha pra conquistar grandes coisas de pouco em pouco, passo a passo. Mas eu tô muito tranquilo. Acredito que minha mente está bem trabalhada, focada no dia a dia do clube pra desempenhar o que eu sei fazer, que é jogar futebol. E eu tô aqui pra isso. Não vejo muito como uma pressão. Eu vejo como um privilégio de estar aqui, de poder ajudar e seguir fazendo o que eu mais gosto.”
Pedro Emanuel assume com mentalidade ambiciosa
A grande aposta para capitanear a reação esportiva é o técnico português Pedro Emanuel, apresentado oficialmente para um contrato de um ano e meio. O comandante trouxe os auxiliares Rui Gomes e Pedro Correia, o preparador físico André Galbe e o analista Gil Varajão. Inspirado no sucesso do compatriota Abel Ferreira, o novo treinador pediu um voto de confiança à torcida vascaína, destacando a pressa em dar resultados rápidos no campeonato nacional:
“O desafio é grande. Nós temos uma intervenção que tem que ser imediata, porque, como é lógico, em dezoito rodadas o clube trocou duas vezes de treinador. As coisas não estão bem, mas isso faz parte do que foi a nossa preparação ao longo de vários anos. Nesse momento, a tabela do Brasileirão nos diz muito. É prioridade voltar a pôr o Vasco no lugar onde merece. A história do Vasco é de conquistas, e isso tem que fazer parte da nossa essência.”
Calendário cheio e o desafio no Brasileirão
O término da pausa da Copa do Mundo joga o elenco do Vasco diretamente em um calendário apertado e decisivo em três frentes de mata-mata e pontos corridos. A estreia da nova comissão técnica ocorrerá nesta quinta-feira, às 19h30, diante do Vitória, no Estádio Manoel Barradas (Barradão). Logo na sequência, o grupo viaja para a Colômbia para enfrentar o Independiente Medellín pelos playoffs da Copa Sul-Americana, além de já projetar os clássicos diante do Fluminense, válidos pelas oitavas de final da Copa do Brasil no início de agosto.