O processo de compra da Vasco SAF ganhou declarações contundentes que agitaram o cenário esportivo do Rio de Janeiro. O empresário José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, concedeu uma entrevista ao portal ge para confirmar que o memorando de entendimento está firmado e em pleno vigor jurídico.
Ele atua como avalista das garantias financeiras de R$ 2 bilhões apresentadas por seu filho, Marcos Faria Lamacchia, para assumir o futebol do clube.
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Ultimato sobre Pedrinho e gravação de reuniões
Pedrinho é a peça fundamental para que os investidores permaneçam engajados no negócio, e o veterano empresário de 83 anos avisou que a transição será cancelada caso o racha político afaste em definitivo o presidente eleito.
O dono da Crefisa subiu o tom contra os conselheiros e revelou possuir filmagens no circuito interno de segurança de seu escritório comercial que provam a presença e a cobrança de vantagens por parte de opositores que agora criticam os termos da venda da Vasco SAF.
O experiente investidor criticou severamente as quebras de confiança e disparou contra a omissão histórica dos conselheiros citados:
“Não muda o desejo. Obviamente que eu só vou comprar… Eu não, o meu filho só vai comprar o Vasco se o Pedrinho estiver na presidência, porque com aqueles que estão lá eu não tenho condição. O Marcos não vai querer ficar com aqueles caras. Eles ficam só querendo cargo no Vasco, chantagear as pessoas para ter cargo. O que eles fizeram com o Pedrinho foi a maior aberração que já vi na minha vida. E eles fazem tudo na encolha. Eles não têm coragem de aparecer e falar: ‘fui eu que fiz’. Eles não põem a cara, ficam sempre na encolha. É uma briga política que existe e só atrapalha o Vasco.
Inclusive, eles estão dizendo que não têm nada com isso. Então, o que eles foram fazer no meu escritório? Eu tenho vídeo, na câmera do meu escritório, tem câmera para entrada e saída do pessoal. Todos eles estão nas câmeras. Eles foram lá fazer o quê? Eles foram lá tomar sorvete? Não, eles foram tratar desses assuntos e querendo benesses. Um deles é o Felipe Carregal. Nunca deu um centavo no Vasco. Sempre atrapalhando o Vasco.”
José Lamacchia falou sobre o movimento jurídico realizado por pessoas dentro do próprio clube – Foto: Plantão Vascaíno/Instagram
Resposta ao Flamengo e legalidade jurídica
Pedrinho recebeu o respaldo técnico do avalista para rebater as contestações levantadas pela oposição sobre um possível conflito de interesses na negociação pelo fato de o comprador ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
O investidor explicou que a lei desportiva e os pareceres de advogados respaldam a lisura da transação do Vasco e aproveitou para mandar uma resposta irônica às declarações dadas pelo presidente do rival Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
O empresário desarmou os argumentos contrários e deu um conselho direto para que o mandatário rubro-negro foque nos problemas de sua própria instituição:
“Não existe. O Marcos é meu filho, enteado da Leila. Se você ler a lei, vê que não tem problema nenhum. Porque esse outro assunto de conflito de interesse, há três anos, se existia, existia há três anos. E não agora que eles estão falando. Por que eles não inventaram isso há três anos? É má-fé deles. Eu não dei nada por isso. Ele deveria cuidar do Flamengo. O Flamengo tem problemas também, e bastante. Ele devia cuidar do problema e não ficar dando palpite no que não é da conta dele.
Eu nunca dei palpite no que não é da minha conta. E ele deveria fazer o mesmo, é um conselho que eu dou a ele. Vá tomar conta do seu clube e não enche o saco do clube dos outros.”
💢| José Lamacchia sobre a preocupação de BAP, presidente do flamengo, quanto a venda da SAF do Vasco:
— Eu não dei nada por isso. Ele deveria cuidar do Flamengo. O Flamengo tem problemas também, e bastante. Ele devia cuidar do problema e não ficar dando palpite no que não é da… pic.twitter.com/mMSTStn0u0
Pedrinho terá o suporte dos investidores para implantar o padrão administrativo do clube paulista no futebol do Gigante da Colina, assegurando o reinvestimento integral dos lucros na contratação de jogadores e no centro de treinamento.
O avalista descartou qualquer interferência atual da esposa nas tratativas, mas admitiu a possibilidade de a atual mandatária alviverde assumir um cargo de liderança burocrática no Vasco após o término de seus compromissos no Allianz Parque.
O dono da Crefisa detalhou a filosofia familiar estabelecida para afastar o perfil de fundos especulativos do controle acionário do clube:
“Claro, o que dá certo tem que ser copiado. O Marcos vai copiar isso. Aliás, o Marcos, eu tenho a impressão que ele se inspirou na Leila para comprar o Vasco. E a Leila, ainda nessa entrevista que eu citei, falou que depois que terminar o mandato dela, tem vontade de comprar outro clube. Obviamente que não vai ser o Vasco, mas ela pode assumir um cargo, quem sabe. Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras, aí já não vai ter mais nenhum vínculo com o Palmeiras. Ela não pode participar disso porque está envolvida 200% no Palmeiras.
E outra coisa, o Marcos não vai vender o clube, ele não quer negociar o clube futuramente, como muitos bancos fazem, compram o clube para depois vender. É uma filosofia de vida, porque ele gosta do futebol, quer ver o futebol, se inspirou na Leila. E ele não vai vender o Vasco. Tanto é que nesse período de impedimento que existe entre ele e o Vasco, tem uma cláusula no MOU que diz que ele não pode vender o Vasco por um período de 10 ou 20 anos. É outra visão. Não é visão de um fundo que vai comprar para negociar.”